quinta-feira, 20 de junho de 2013

#Fuiprarua

Estou saindo de casa... Estou indo pra rua...


Se você me perguntar o que me leva pra rua, ainda não sei te responder, com precisão...

Sei por quem vou inspirado...

Vou inspirado por Jesus, que viveu na rua, promovendo a justiça do Reino de Deus...

Vou inspirado pelo meu avô, que foi a pessoa mais simples e profunda que já conheci; que viveu a vida sonhando e lutando pela justiça para todos...

Vou inspirado pelo meu pai, que é a pessoa mais indignada com a injustiça que eu conheço; embora, pelo menos por enquanto, tenha perdido a utopia...

Vou inspirado pela Babi, minha adolescente-jovem da Redê, que chegou à rua antes de mim...

Por fim, vou inspirado pela Kelly, minha aluna que não conseguiu conter as lágrimas enquanto orava, no último dia de aula deste semestre, pedindo a Deus que estabelecesse a justiça dele no nosso país...

É inspirado por esses que eu vou...

Dois homens, duas mulheres e o Deus-homem...

Vou cheio de esperança... 

Esperança de deixar para os filhos e os netos, que ainda não tenho, um Brasil mais justo...

Eu vou pra rua...

Vou porque quero justiça; vou porque quero educação pública de qualidade para todos; vou porque quero saúde pública de qualidade para todos; vou porque quero segurança pública de qualidade para todos; vou porque quero transporte público de qualidade para todos; vou porque quero reformas estruturais no meu país (reforma tributária, jurídica,  política, partidária, eleitoral, previdenciária, entre outras); resumindo, vou porque quero qualidade de vida para todos os brasileiros...

Vou também porque sou contra o aumento das passagens, contra a PEC 37, contra os gastos exorbitantes e desnecessários com estádios e demais infra-estruturas para a  Copa do Mundo da FIFA 2014, e, especialmente, contra a corrupção sistêmica que nos assalta...

Eu vou...

Vou porque quero fazer parte desse "movimento de borda"...

Se tudo isso vai surtir algum efeito, eu não sei...

Todavia, se surtir, quero ter o privilégio de dizer aos meus filhos: "Papai foi pra rua e contribuiu com isso."...

Sonhador? Talvez...

Eu não sei...

Deus o sabe...

É a esse Deus que clamo, dizendo: "Tem misericórdia da nossa nação! Ajude os nossos governantes a promover o bem e punir o mal! Estabeleça entre nós a justiça, a paz e a alegria do seu Reino!"...

Que ele ouça o meu clamor e me responda, afirmando: "Que seja como você está pedindo, meu filho."...

Eu vou pra rua...

Você vem comigo???

Luiz Felipe Xavier.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Olhar retrospectivo para a Consulta Nacional 2013 da FTL-B

No último feriado de Corpus Christi, a família FTL-B reuniu-se em Salvador, Bahia, para a Consulta Nacional 2013. O propósito dessa reunião foi a reflexão sobre a seguinte temática: “Identidade, diálogo e missão: nos vértices do tempo e na dobradura dos acontecimentos”. Neste texto, apresento um pouco da reflexão ali desenvolvida, bem como as minhas considerações sobre a mesma. Isso faço, não sem antes destacar dois interessantes detalhes. Primeiro, com exceção da palavra de abertura e dos devocionais, toda reflexão aconteceu em torno da mesa, seguida de perguntas e respostas. Tal dinâmica, horizontalizada, deu voz a todos os presentes. Segundo, cerca de 80% dos mais de 100 participantes eram jovens e acadêmicos de Teologia. Dentre outras coisas, isso pode ter indicado o cansaço da primeira geração da FTL-B e o interesse de uma nova geração pela Teologia da Missão Integral.
Para mim, o ponto alto da Consulta Nacional 2013 foi a presença e a reflexão pastoral do peruano Pedro Arana, um dos fundadores da FTL. Em sua palavra de abertura, ele desafiou-nos à missão, em meio à tensão. Essa tensão dá-se entre a providência divina, o fato de que o Senhor reina, e o caos humano, o fato de que o pecado está presente no mundo. Logo, essa missão só será efetiva quando a Teologia apresentar as respostas da fé às perguntas da sociedade. Dentre as perguntas da sociedade atual, duas se destacam: como viver num mundo marcado pelo liberalismo econômico, onde o ser humano é transformado em um mero produto ou em um mero consumidor? Como viver num mundo marcado pela amoralidade, onde cada pessoa estabelece seus próprios critérios de bem e mal, de certo e errado? Respondendo à primeira pergunta, Arana diz que a maior preocupação de Deus sempre foi o ser humano. Assim, a missão da Igreja deve ser humanista e humanizadora. Em resposta à segunda pergunta, ele afirma que a missão da Igreja deve ser coerente com a ética da Igreja. Assim sendo, a missão da Igreja deve refletir a ética que encontra-se na Bíblia, de modo geral, e no Evangelho de Jesus, de modo específico. Arana diz também que a missão precisa ser ecumênica. Para tal, precisamos dialogar, não negociar. Dialogar em busca da unidade do Espírito, expressa no vínculo da paz. Ele concluiu sua palavra de abertura reafirmando a missão: missão consiste em dar testemunho do Reino de Deus, no mundo de Deus, com palavras e ações.
Nos dois devocionais que dirigiu, Arana trouxe-nos ainda palavras inspiradoras. Destaco a primeira, baseada em Mateus 28:16-20, na qual ele apresenta-nos 4 características da Igreja de Jesus: Igreja comunidade da esperança, porque vai para a Galiléia e espera pela ação de Deus; Igreja comunidade da obediência, porque vai para o lugar que Jesus havia indicado; Igreja comunidade da adoração, porque, quando viram Jesus, alguns adoraram; e Igreja comunidade da imperfeição, porque, quando viram Jesus, outros duvidaram. Num bate papo com Arana, na fila do almoço, sugeri uma quinta característica, que foi acolhida por ele: Igreja comunidade da missão, porque, no texto, o que segue é o “indo, façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo que eu [Jesus] disse”.
As reflexões em torno da mesa também foram ricas. Na primeira mesa, refletimos sobre “memórias e experiências da missão”. Dessa mesa, onde cada participante conta sua história e sua prática da Missão Integral, chamou à atenção o fato de que todos os quatro tiveram envolvimento com o movimento estudantil. Na segunda mesa, refletimos sobre “Teologia, arte e literatura”. Dessa mesa, dois destaques: o fato de que os seres humanos são à imagem e semelhança de Deus quando criam, e o fato de que a Teologia precisa resgatar a imaginação, vista, até hoje, como “a louca da casa”. Na terceira mesa, refletimos sobre “Teologia, espiritualidade e sexualidade”. Dessa mesa ressalto dois aspectos, um positivo e um negativo. O positivo é o fato de que a sexualidade faz parte da conjuntura humana e, como parte dessa conjuntura, pode ser fonte de prazer ou de sofrimento. Muito interessante, tal percepção! O aspecto negativo é percebido através de algumas afirmações, tais como: “viver a sexualidade de forma não controlada”, “a esfera da sexualidade é autônoma” e “amor, responsabilidade e ternura são os pré-requisitos para o desfrutar da sexualidade”. Penso que essas afirmações precisam ser checadas à luz da revelação de Deus, tal como a encontramos nas Escrituras. Revelação que afirma a criação de homem e de mulher, que afirma a união – compromisso com intenção de permanência – entre um homem e uma mulher, e que afirma o tornar-se uma só carne – processo que inicia-se com o ato sexual, mas que o transcende – entre um homem e uma mulher. Revelação que afirma que o sexo é bom – aliás, é muito bom, é excelente – e que deve ser desfrutado no casamento, entre um homem e uma mulher. Revelação que afirma a corrupção da sexualidade, chamando-a de “imoralidade sexual” e ordenando-nos a fugir dela. Revelação que afirma, como lembrou-nos um dos participantes, citando Dallas Willard: “Tudo o que fazemos para Deus, o fazemos no corpo (...) e também todo pecado acontece no corpo.”. Revelação que afirma a graça absolutamente acolhedora, mas também absolutamente transformadora. Em síntese, revelação que afirma a bondade da criação, a desgraça da queda, a graça da redenção e a esperança da consumação do Reino de Deus, que já está entre nós. Na quarta mesa, refletimos sobre “Teologia, espaço público e política”. Dessa mesa, pontuo uma significativa questão acerca da qual precisamos pensar: “como é ser uma igreja privada no espaço público?”. Ou seja, “qual é o lugar das ‘doutrinas abrangentes’ na sociedade?”.
Das cinco mesas, destaco a última. Nessa mesa refletimos sobre “Identidades e desafios da missão”. Durante essa reflexão, deparamo-nos como uma triste realidade, da qual já desconfiávamos: os evangélicos nunca abraçaram e nunca abraçarão a Teologia da Missão Integral. Isso porque a maioria dos evangélicos não vê no Evangelho uma oportunidade de serviço, mas de sucesso. Isso porque a maioria dos evangélicos é fundamentalista. Isso porque as meta-teorias (pressupostos) da maioria dos evangélicos afasta-os da Missão Integral. Por exemplo: a meta-teoria do dualismo espiritualista e a meta-teoria do racionalismo cartesiano iluminista, que conduz ao biblicismo (idolatria da Bíblia). Deparamo-nos também com um interessante desafio de ler a Bíblia e de ler a vida. De dar passos adiante. De ir além das questões iniciais da Missão Integral e refletir sobre “teologia feminista”, “homoafetividade”, “teologia negra”, “diálogo inter-religioso” entre outras temáticas. Desde que a nossa reflexão seja bíblico-histórico-teológica, considero não só necessária, mas urgente tal reflexão.
E o que não foi bom? Não foi bom o tempo que dedicamos à oração. Oramos muito pouco e deveríamos ter orado mais. Também não foi bom o fato de ouvirmos, calados, muitas críticas, ácidas, à Igreja de Jesus. Críticas vindas, na grande maioria das vezes, de pessoas que não estão vivendo a vida da Igreja, de pessoas que estão apenas refletindo, teologicamente, no ambiente da academia. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos perdoe! Ainda não foi bom o silêncio em relação ao CLADE V. A única aparição desse importante congresso foi na distribuição da revista Práxis Evangélica, da Faculdade Teológica Sul-Americana, fato que não pode passar batido.
Por fim, conhecer Salvador foi uma experiência maravilhosa. Circular o Farol da Barra, caminhar pelas ruas do Pelourinho, descer e subir pelo Elevador Lacerda, apreciar o artesanato do Mercado Modelo, visitar a Igreja do Senhor do Bonfim, passar em frente à velha-nova Fonte Nova e contemplar a praia de Itapuã foi excelente. Gostei muito de Salvador. Gostei ainda mais de Lauro de Freitas, cidade visinha onde fiquei hospedado, na casa de um amigo. Vilas do Atlântico é um bairro maravilhoso, com uma praia paradisíaca. Vale a pena conhecer!
É isso! Que Deus abençoe a FTL continental e nacional! Que Deus abençoe a nova diretoria, eleita durante a Consulta Nacional 2013! Que Deus abençoe a sua Igreja no Brasil, na América Latina e no mundo!
Luiz Felipe Xavier.
Obs.: Embora eu seja secretário da FTL-B, essas considerações acima são minhas e não expressam a posição da instituição.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Abuso espiritual: qualquer semelhança não é mera coincidência


Ao que me parece, faz parte da nossa identidade, como igreja, receber pessoas feridas, vindo de outras igrejas. Eu mesmo sou um exemplo disso. Há dez anos, quando aqui cheguei, estava ferido. O tempo passou, fui curado e vi muitas pessoas chegando como cheguei. Algumas já foram curadas, outras ainda estão em processo de cura. Uma coisa é certa: o tempo desse processo é proporcional ao tamanho das feridas.
Logo, podemos nos perguntar: qual é a maior causa dessas feridas? Penso que a maior causa dessas feridas é o que podemos chamar de “abuso espiritual”. Mas, o que vem a ser “abuso espiritual”? “Abuso espiritual” é o mau uso da autoridade espiritual. Quem pratica “abuso espiritual” afirma: “Em qualquer circunstância, a insubordinação à autoridade é motim contra Deus.”. Essa afirmação parte do pressuposto que toda autoridade é legítima e que toda insubordinação é ilegítima. Será que é assim mesmo? Parece que não.
C. S. Lewis, em A última batalha, sétimo livro das Crônicas de Nárnia, apresenta-nos uma clara situação de “abuso espiritual”. Nessa apresentação, o macaco, chamado Manhoso, veste o jumento, chamado Confuso, com uma pele de leão. Por que de leão? Porque Aslam, o Grande Leão, era o Deus de Nárnia. Assim, se os narnianos acreditassem que Confuso era Aslam, todos se submeteriam a Manhoso, que dava suas ordens por meio do jumento. Ou seja, o macaco seria o porta-voz de Aslam, porém, de um falso Aslam. O plano de Manhoso dá certo e muitos narnianos sofrem “abuso espiritual”, especialmente um grupo de anões.
A história segue e Tirian, rei de Nárnia, encontra-se com o grupo de anões, conta-lhes a verdade sobre o falso Aslam e “liberta-os” do “abuso espiritual”. Todavia, os anões estavam tão feridos que dizem: “Vamos viver por nossa própria conta. Chega de Aslam, chega de reis e de conversas fiadas sobre outros mundos. Vivam os anões!”. Os anões, agora “libertos” e feridos, não querem mais saber de Aslam, Deus de Nárnia, e de Tirian, autoridade legítima sobre Nárnia. Instaura-se neles um verdadeiro estado de rebelião.
A história continua e o próprio Aslam também encontra-se com o mesmo grupo de anões rebeldes, revela-se a eles e manifesta-lhes sua graça. Contudo, os anões continuavam tão feridos que rejeitam o Grande Leão. Assim sendo, Aslam afirma: “Viram só? (...) Eles não nos deixarão ajudá-los. Preferem a astúcia à crença. Embora a prisão deles esteja unicamente em suas próprias mentes, eles continuam lá. E têm tanto medo de serem ludibriados de novo que não conseguem livrar-se.”. Os anões, que rebelaram-se contra Tirian, agora rebelam-se contra Aslam. O medo de serem novamente enganados aprisiona-os, impedindo-os de confiar e submeter-se tanto a Tirian quanto a Aslam.
Qualquer semelhança entre essa história dos anões que sofreram “abuso espiritual” e a história daqueles que, hoje, sofrem “abuso espiritual” não é mera coincidência. As semelhanças são reais. Isso quer dizer que, hoje, muitas pessoas enganadas estão conhecendo a verdade. Entretanto, muitas dessas pessoas permanecem feridas, rebeldes, medrosas e aprisionadas. A grande pergunta é: Como sair desse estado?
Penso que, primeiro, é necessário perdoar os abusadores. Assim como fomos perdoados por Deus, devemos perdoar aqueles que fizeram-nos mal. Embora não seja fácil, perdoar é necessário. É necessário para o bem da nossa própria alma, pois a liberta, de fato, dos seus abusadores. Segundo, é necessário ter consciência de que o passado passou. Como o próprio nome diz, o passado é passado. O que causou-nos tanta dor ficou para trás. Agora, precisamos de uma nova disposição diante do futuro que está à nossa frente. Terceiro, é necessário exercitar a fé, novamente. É preciso, gradativamente, voltar a confiar tanto em Deus quanto nas pessoas. Deus foi, é e sempre será confiável. Além disso, existem muitas pessoas que também são confiáveis. Talvez esse processo de retomar a confiança seja o mais difícil. No entanto, com a graça de Deus, vencemos o medo e passamos a crer novamente. Quarto, é necessário submeter-se a Deus e às autoridades espirituais legítimas por ele estabelecidas. Aqui encontramos a possibilidade de reexercitar a nossa fé. Mas, agora, de maneira madura, com a consciência cativa à Palavra de Deus. Sabe o que isso significa? Significa que podemos confiar nas autoridades espirituais sempre que sua orientação não for contrária à revelação de Deus, nas Escrituras Sagradas. É simples assim! Precisamos checar tudo com a Bíblia. Quinto, é necessário experimentar a cura e a libertação de Deus. Essa é a última etapa do processo. Depois dela não haverá mais feridas nem prisões. É exatamente isso que Deus deseja para os seus filhos. Deseja que sejam saudáveis e livres.
Que assim seja em nós e entre nós!
Luiz Felipe Xavier.
Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.

domingo, 26 de maio de 2013

Os efeitos da graça

Os efeitos da graça

Mateus 9:1-8; 9-13; 35-38

26 de maio de 2013

Luiz Felipe Xavier

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Conchas


Se você é como eu, que tem dificuldade de dizer "não", você precisa ver este vídeo, do polêmico Rob Bell. Que Deus tenha misericórdia de mim e de você!

domingo, 21 de abril de 2013

Qual é o tamanho da sua fé?

Qual é o tamanho da sua fé?

Mateus 8

21 de abril de 2013

Luiz Felipe Xavier

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tentação pode virar teste


Todos nós sabemos o que é tentação. Isso porque essa realidade faz parte da nossa experiência cotidiana. Todos os dias, e várias vezes ao dia, nós somos tentados. Nós somos tentados quando o Diabo nos apresenta uma possibilidade de satisfazer os maus desejos do nosso coração. Se cedermos, significa que caímos em tentação. Se não cedermos, significa que fomos aprovados num teste. Logo, a tentação pode virar teste. É curioso que, no grego, a mesma palavra pode ser traduzida por “tentação” ou “teste”. Ou seja, é o resultado que determinará se a nossa experiência foi uma tentação ou um teste.
A tentação acontece no lugar onde o Espírito Santo nos leva. O Espírito Santo conduz-nos ao local da tentação. A tentação consiste em obedecermos a Deus e fazermos a sua vontade ou desobedecermos a Deus e fazermos a nossa vontade. Mas, por que o Espírito Santo faz isso? Para sermos aprovados no teste e nos fortalecermos espiritualmente.
A tentação começa quando o Diabo se aproxima. É ele quem nos tenta. Essa tentação se dá com a apresentação da possibilidade de realizarmos os maus desejos do nosso coração. Porém, por que o Diabo faz isso? Para cairmos em tentação e nos enfraquecermos espiritualmente.
A tentação vem sobre todos nós. Ela vem sobre mim e sobre você. Ela veio até sobre Jesus. Ora somos reprovados, ora aprovados. Todavia, Jesus sempre foi aprovado. Como ele sempre foi aprovado, ele é capaz de nos ajudar em cada tentação que passamos para sermos aprovados também.
A tentação, frequentemente, torna-se mais forte quando estamos mais fracos. Na caminhada cristã passamos por momentos de “alta” e de “baixa”. Nos momentos de “baixa”, as tentações tornam-se mais fortes, porque estamos mais fracos. É exatamente nesses momentos que precisamos de maior vigilância. Isso quer dizer que nos momentos de “alta” estamos imunes à tentação? De forma nenhuma, pois nesses momentos estamos mais propensos a confiar na nossa justiça própria. Caso isso aconteça, já estaremos caídos.
A tentação, geralmente, direciona-se aos nossos “pontos fracos” ou “áreas de vulnerabilidade”. Todos nós temos “pontos fracos”. Todos nós conhecemos as nossas “áreas de vulnerabilidade”. O que alguns de nós desconhecemos é que o Diabo também sabe quais são os nossos “pontos fracos” ou “áreas de vulnerabilidade”. Ele os conhece e para eles direciona suas tentações. Assim, precisamos de maior atenção onde somos mais débeis.
A tentação reveste-se com uma lógica enganosa. Isso significa que, de modo geral, antes de cedermos à tentação, formulamos uma lógica que justifique a nossa desobediência. O grande problema é que essa lógica é enganosa. Ela é enganosa porque nos faz pensar que sabemos melhor do que Deus o que é melhor para nós. Como pensamos que sabemos melhor do que Deus o que é melhor para nós, afirmamos a nossa vontade em detrimento da vontade de Deus.
A tentação demanda certas concessões. Todas essas concessões estão diretamente relacionadas à lógica enganosa que nos leva à desobediência. Na verdade, o que negociamos é a consciência que temos do que seja a vontade revelada de Deus. Assim sendo, parece claro que as concessões antecedem a nossa queda.
A tentação oferece a possibilidade de uma satisfação imediata, embora fugaz. O que satisfazemos, quando caímos em tentação, são os maus desejos do nosso coração. A satisfação é real e por isso é desejada. Contudo, é uma satisfação falsa, porque é produto da desobediência a Deus. Além disso, é uma satisfação fugaz, pois seu efeito passa muito rápido. Pior, não só passa muito rápido, mas deixa em seu lugar uma dolorosa culpa: a culpa da ofensa aquele que mais nos ama.
A tentação propõe sempre um atalho. O atalho para a satisfação dos maus desejos do nosso coração, pela desobediência à vontade revelada de Deus. Tomamos esse atalho quando não confiamos que a vontade de Deus é melhor para nós que a nossa própria vontade e satisfazemos a nossa própria vontade em detrimento da vontade de Deus. É simples assim!
A tentação pretende nos desviar da missão do Pai para nós. A missão do Pai para nós é a de nos conformarmos à imagem do Filho, de sermos e vivermos como foi e viveu o Filho. O Filho foi obediente à vontade do Pai até o fim, até a morte. Então, à semelhança do Filho, o nosso caminho também deve ser o caminho da obediência à vontade do Pai. Só assim cumpriremos a sua missão para nós.
Por fim, a possibilidade de não cairmos nas tentações do Diabo é real. Que boa notícia! Portanto, a pergunta é: o que precisamos fazer? Primeiro, contar com a assistência do Espírito Santo. Ele nos leva para sermos tentados e nos ajuda enquanto estamos sendo tentados. Segundo, ter a Palavra de Deus habitando em nós. É com a Palavra de Deus que resistiremos às sugestões mentirosas do Diabo. Terceiro, discernido, com clareza, a tentação. Quando esse discernimento se faz presente, o que era tentação pode transformar-se em teste. Um teste no qual somos aprovados e fortalecidos espiritualmente.
Na nossa caminhada, muitas vezes, caímos em tentação. Quando isso acontece, precisamos nos colocar aos pés da cruz de Jesus. É dela que vem o nosso perdão. É dela que vem a nossa purificação. É dela que vem a graça que nos coloca de pé e nos faz seguir em frente.
Que todos nós possamos orar como Jesus nos ensinou: “E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal”. Que assim seja!
Luiz Felipe Xavier.
Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.