terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Silas Malafaia e Gabi: esclarecimento e considerações


Algumas considerações sobre a entrevista do Silas Malafaia à Gabi,  não sem antes um esclarecimento.

Esclarecimento: discordo, quase que totalmente, da hermenêutica e da teologia do Silas Malafaia.

Considerações:

1) A Teologia da Prosperidade, em todas as suas vertentes - inclusive a do Silas Malafaia, é anti-Evangelho e nasceu no inferno.

2) A revelação de Deus, na Escritura, deixa claro que o casamento entre seres humanos deve ser de natureza heterossexual.

3) Todo e qualquer tipo de violência contra os homossexuais deve ser condenada, pois não é coerente com o amor de Deus, revelado em Jesus.

4) Uma vez que o homossexualismo é um desajuste oriundo do pecado ele carece de redenção tanto quanto qualquer outro desajuste.

5) A maioria dos pastores do Brasil e do mundo não recebe uma remuneração digna pelo seu trabalho.

6) Embora o ministério pastoral não seja fonte de lucro, os pastores, como qualquer trabalhador, devem ser dignamente remunerados.

7) Pastor que vê no ministério uma fonte de lucro é escravo da ganância, e carece de arrependimento e conversão.

Luiz Felipe Xavier

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O que eu aprendi sobre santidade que preciso praticar...


“Santidade” é uma palavra que parece estar fora de moda. Por que será? Talvez porque a pós-modernidade consagre valores como relativismo e pluralismo. A vontade de Deus, revelada nas Escrituras e encarnada por Jesus, torna-se relativa. Logo, cada um faz valer a sua própria vontade num mundo marcado por uma pluralidade de vontades. Nesse contexto, qual deve ser a postura daqueles que dizem-se discípulos de Jesus? A postura dos discípulos de Jesus deve ser semelhante à postura de Jesus, que viveu nesse mundo de modo santo.
Refletindo um pouco sobre a temática da santidade, aprendi algumas lições que gostaria de compartilhar com você; lições que, pela graça de Deus, preciso praticar. Aprendi que Deus é Santo e que devemos ser santos (Cf. 1 Pe. 1:16). Esse é o nosso ponto de partida. Devemos ser santos porque santidade faz parte do caráter do nosso Pai.
Aprendi que a santidade é pela graça (Cf. Cl. 2:6). Assim como a nossa salvação é um presente de Deus, a nossa santificação também o é. Não temos, em nós mesmos, força para ser santos. O padrão de Deus é tão elevado que jamais conseguiremos atingi-lo por conta própria. Aqui encontramos uma boa notícia: a graça que salvou-nos é a graça que conduz-nos à santificação. Ou seja, a graça que acolheu-nos como somos é incapaz de deixar-nos da mesma maneira. Ela transforma-nos dia após dia, mesmo que isso não seja tão evidente aos nossos próprios olhos.
Aprendi que a santidade é de dentro para fora (Cf. Mt. 15:10-11). Nasce do coração. Não é produto de algumas mudanças exteriores a que nos propomos. Isso significa que se o nosso coração for puro, seremos puros. Mas, se o nosso coração for impuro, seremos impuros. Assim, precisamos cuidar do coração. A grande questão é: como? Guardando o que podemos chamar de as “duas portas do coração”: os olhos e os ouvidos. Precisamos tomar cuidado com o que vemos e com o que escutamos. Desse cuidado depende a pureza do nosso coração.
Aprendi que a santidade é produto da renovação da mente (Cf. Rm. 12:1-2). Quando exercitamo-nos em renovar a nossa mente, Deus transforma nossos valores. O mundo, como um sistema anti-Deus, tem seus valores. Porém, o Reino de Deus tem valores completamente diferentes. Somente quando passamos a valorizar o que Deus valoriza é que passamos a viver a vida como a vida deve ser vivida.
Aprendi que a santidade é motivada pela certeza que já fomos totalmente aceitos por Deus, em Cristo (Cf. Rm. 7:24-25). Misteriosamente, essa certeza de que não precisamos fazer nada para sermos aceitos por Deus transforma-se em força espiritual para fazermos tudo que ele aceite como bom.
Aprendi que a santidade é desejada por amor a Deus e não por medo dele (Cf. Ef. 1:4-5). Muitos aproximam-se de Deus e buscam ser santos não porque foram constrangidas por seu amor, mas porque foram tomados pelo medo da sua condenação. Enquanto a motivação para ser santo for as chamas do inferno e não os braços abertos da cruz, nenhuma santidade genuína será encontrada em nós.
Aprendi que a nossa santidade glorifica à Deus (Cf. 1 Co. 10:31). Sobre esta lição, John Piper diz: “Deus é mais glorificado em nós à medida que somos mais satisfeitos nele.”. Sabe o que isso significa? Significa que devemos buscar mais o prazer em fazer a vontade de Deus do que o prazer em satisfazer a vontade da nossa carne com o pecado.
Aprendi que, diante da tentação, a batalha pela santidade é vencida ou perdida nos três primeiros segundos (Cf. 1 Co. 10:13). Se nesses instantes fugirmos, venceremos. Todavia, se tentarmos resistir, certamente perderemos.
Aprendi que todo progresso em santidade é devido à graça de Deus (Cf. Fp. 2:13). É ele mesmo que efetua em nós tanto o querer quanto o realizar. Isso porque todo mal que eu pratico é meu mesmo e todo o bem que eu realizo é produto da graça de Deus operando em mim. Tal consciência livra-nos do orgulho da justiça própria, que faz com que sejamos resistidos por Deus.
Aprendi que ser santo não é ser um crente esquisito, mas ser parecido com Jesus (Cf. Rm. 8:28-30). Ser crente esquisito é ser alguém que copia um modelo religioso pré estabelecido (em geral, repleto de “nãos”). Esse modelo é produto das “santas” tradições e não sustentam-se pela Palavra de Deus. Entretanto, ser parecido de com Jesus é ser alguém que copia o modelo de Jesus. Tal modelo é encontrado em sua vida, exatamente como descrita nos Evangelhos.
Aprendi que a santidade nunca será plena nesse tempo (Cf. 1 Jo. 1:8). Apesar de ansiarmos pela total libertação do pecado, essa só acontecerá depois da ressurreição do nosso corpo. No tempo chamado hoje, quem diz não ter pecado, já está pecando.
Que Deus, por sua graça, nos transforme à imagem de Jesus! Que ele complete a boa obra que um dia começou em nós!
Luiz Felipe Xavier.
Uma versão reduzida deste texto foi publicada na revista Ultimato, n. 339.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Alguns bons alvos para um novo ano

Alguns bons alvos para um novo ano

Joel 3:1-21

30 de dezembro de 2012

Luiz Felipe Xavier

Faça aqui o download da mensagem e esboço.

Alvos para 2013


A sabedoria de Deus é um dos seus atributos que mais me encanta. Nas palavras de Wayne Grudem, “dizer que Deus tem sabedoria significa dizer que ele sempre escolhe as melhores metas e os melhores meios para alcançar essas metas.”. Pergunto: por que temos dias, semanas, meses, estações e anos? Porque Deus, em sua sabedoria, deseja dar-nos várias oportunidades de recomeçar. Dessas várias oportunidades, o início de um ano talvez seja a mais significativa. Recomeçar é preciso!

Não sei qual é a sua impressão, mas a minha é de que 2012 voou. Mais do que isso, a minha impressão é de que os anos têm voado mais rápido a cada ano. Para mim, fim de ano é tempo de olhar para trás e de olhar para frente. Olhar para trás e fazer um balanço do ano que passou. Ver o que foi bom e o que foi ruim. Ver o que pode ser melhor e o que não deve ser repetido. Acima de tudo, ver ou “contar as bênçãos” de Deus. Olhar para frente e estabelecer alvos para o novo ano que se inicia. Alguns pensam que estabelecer alvos não é algo bom (alvos lembram metas e metas lembram a opressão da empresa). Pensam também que isso contribui para as frustrações. Se os alvos forem impossíveis, essas pessoas têm razão. Outros pensam que estabelecer alvos é algo bom (eu me incluo nesse grupo). Por que estabelecer alvos para o novo ano é bom? Porque os alvos são declarações das intenções do nosso coração. Porque os alvos são motivações para as nossas ações. Porque os alvos são maneiras de autoavaliação. E as frustrações? Tratamos das frustrações com boas doses de graça. A graça é o melhor remédio para as frustrações.
No último dia de 2011, olhei para trás e olhei para frente. Estabeleci alvos. Alguns alcancei, outros não (o que é normal). Amanhã, no último dia de 2012, quero fazer tudo novamente e quero sugerir que você faça o mesmo. Em família, separe um tempo para olhar para trás e para olhar para frente, tempo para estabelecer alvos para 2013. Enquanto estabelece esses alvos, lembre-se das palavras de Paulo, o apóstolo: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” (1 Co. 10:31).
A nossa vida é integral e devemos vê-la dessa maneira. Porém, quero sugerir que estabeleçamos, pelo menos, seis tipos de alvos para o novo ano: devocionais, familiares, vocacionais, financeiros, físicos, e gerais.
Nos alvos devocionais, pensemos na prática do amor a Deus e ao próximo. Pensemos no exercício das disciplinas espirituais (meditação, oração, jejum, estudo, simplicidade, solitude, submissão, serviço, confissão, adoração, orientação e celebração). Pensemos no serviço à igreja, a partir dos dons espirituais que Deus nos deu. Pensemos no relacionamento com pessoas que ainda não seguem a Jesus. Pensemos na proclamação do Evangelho a essas pessoas.
Nos alvos familiares, pensemos em amar mais. Pensemos em ser melhores maridos ou melhores esposas (para tal, perguntemos às esposas e aos maridos como isso é possível). Pensemos em ser melhores pais e melhores filhos (semelhantemente, perguntemos aos filhos e aos pais como isso é possível). Pensemos em ter filhos. Pensemos em estar mais presentes. Pensemos em passar mais tempo juntos. Pensemos em uma viagem juntos. Pensemos em resolver os nossos conflitos da maneira melhor e mais rápida possível. Pensemos em exercitar o perdão. Pensemos em servir mais um ao outro.
Nos alvos vocacionais, pensemos em como Deus pode expressar-se melhor através de nós e do que nós fazemos. Pensemos em como o nosso estudo ou trabalho pode contribuir mais para o crescimento do Reino de Deus neste mundo. Pensemos em ser alunos e profissionais mais qualificados. Pensemos em cuidar melhor da criação de Deus. Pensemos em crescer.
Nos alvos financeiros, pensemos em acumular mais tesouros nos céus. Pensemos em ampliar nossas receitas. Pensemos em diminuir nossas despesas. Pensemos em quitar nossas dívidas (se temos dívidas). Pensemos em ser mais generosos. Pensemos em consumir menos, para a sobrevivência do Planeta.
Nos alvos físicos, pensemos em cuidar melhor do nosso corpo. Pensemos em reeducação alimentar. Pensemos em atividade física.
Por fim, nos alvos gerais, pensemos em ler mais. Pensemos em escrever mais. Pensemos fazer novos cursos. Pensemos em passar menos tempo na frente da tela (entendida em sentido amplo). Pensemos no que quisermos fazer de bom.
Que Deus ajude-nos a planejar e dê-nos a sua graça para realizar! Desejamos a todos um excelente ano novo!
Luiz Felipe Xavier.
Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Natal de verdade

As lembranças que tenho do Natal são, em sua maioria, doces. No início de dezembro, armávamos a árvore, enfeitávamos a casa e esperávamos pelo dia 25. Como quase toda criança, escrevia cartinha para o Papai Noel e esperava, ansiosamente, por seus presentes. Como Jesus mesmo ensinou que os pais “sabem dar boas coisas aos seus filhos” (Mt. 7:11), meu “Papai Noel” (talvez, “Mamãe Noel”) sempre soube dar-me coisas boas. Honestamente, pensava que Natal estava diretamente relacionado aos presentes.
O tempo passou e uma mudança radical aconteceu. Na igreja em que éramos membros, ensinaram-nos que a celebração do Natal não era “coisa de crente”, mas um “costume pagão”. Na sincera intenção de obediência, nossos inícios de dezembro perderam a graça, nossa casa permanecia como nos demais dias do ano e nenhuma expectativa havia mais em relação ao dia 25. Durante esse tempo, o Natal, literalmente, perdeu a graça. Pior, pensava que Natal estava diretamente relacionado ao paganismo.
Poucos anos depois, um feixe de luz começou a brilhar... se era luz de Natal não sei, Deus o sabe. Pouco a pouco, fomos retomando o costume de montar a árvore, enfeitar a casa e aguardar o dia 25 de dezembro. O tempo em que Natal estava relacionado aos presentes ficou para trás... desse tempo, restaram apenas lembranças que enternecem a alma até hoje. O tempo em que Natal estava relacionado ao paganismo também ficou para trás... desse tempo, restauram apenas a satisfação pela obediência (embora desnecessária, neste caso) e a sensação de que perdemos um tempo enorme na vida. Desde que a luz começou a brilhar, retomamos os encontros familiares nos dias 24 e 25 de dezembro e as trocas de presentes. A comunhão fraterna precisava ser valorizada e cultivada, com presente ou sem eles. Caso desejássemos presentear nossos queridos, esse ato deveria ser marcado por simplicidade. Foi exatamente recordando esses momentos que tive uma idéia: a troca de algo que já temos e que valorizamos pode ser uma excelente alternativa. O que não podemos permitir é que o espírito consumista, próprio do “deus mercado”, escravize-nos, especialmente neste tempo onde ele parece estar cada vez mais forte.
Nos últimos anos, o feixe de luz parece ter dado espaço à estrela de luz. Estrela como aquela que conduziu os magos do oriente até o local onde encontrava-se o Deus-menino. Com a maturidade na fé veio o aprofundamento do sentido do Natal. Natal é a celebração do nascimento do Salvador. Quando discernimos isso, de fato e de verdade, tudo muda. Dezembro ganha um novo sentido. O presépio do Natal torna-se mais importante que a árvore de Natal. Jesus torna-se mais importante que Papai Noel. O presente da salvação torna-se mais importante que qualquer presente que troquemos. Isso é Natal de verdade!
Há um ano, desafiado a trazer uma palavra num jantar de Natal, voltei aos Evangelhos... Foi maravilhoso ver o que Mateus, Marcos, Lucas e João nos ensinam sobre o Natal. Ensinam que Jesus vem ao mundo para salvar-nos dos nossos pecados (Cf. Mt. 1:21). Ensinam que Jesus é Emanuel, Deus Conosco (Cf. Mt. 1:23). Ensinam que Jesus é digno de ser adorado como Deus (Cf. Mt. 2:2). Ensinam que Jesus é aquele que conduz-nos como pastor (Cf. Mt. 2:7). Ensinam que Jesus tem ofício de profeta, sacerdote e rei (Cf. Mt. 2:11). Ensinam que Jesus humilha-se, radicalmente, desde o seu nascimento (Cf. Lc. 2:7). Ensinam que Jesus deve ser glorificado (Cf. Lc. 2:14). Ensinam que Jesus traz-nos a paz (Cf. Lc. 2:14). Ensinam que Jesus manifesta-nos o favor de Deus (Cf. Lc. 2:14). Ensinam que Jesus é aquele que dá-nos a vida (Cf. Jo. 1:4). E ensinam que Jesus é a Palavra de Deus que faz-se carne e habita entre nós (Cf. Jo. 1:14).
Notem! Natal de verdade é Natal que recorda a pessoa de Jesus. Assim como, há 2.000 anos atrás, alguns pastores ouviram a voz do anjo, que, no próximo dia 25 de dezembro, nós possamos ouvi-la novamente: “Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” (Lc. 2:10-11). Que Cristo renasça em nossas vidas a cada Natal e, com ele, a esperança!
Desejo a todos um feliz Natal e um excelente 2013!
Luiz Felipe Xavier.
Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.

domingo, 16 de dezembro de 2012

“Em um relacionamento sério com Deus”

“Em um relacionamento sério com Deus”

Joel 2:1-32

16 de dezembro de 2012

Luiz Felipe Xavier

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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pisou na bola? Como continuar no jogo da vida.


A conhecida expressão “pisar na bola” tem sua origem no chamado mundo do futebol. Todos aqueles que são amantes desse esporte já viram um jogador, que tinha tudo para fazer um belo gol, pisar na bola. Dependendo da pisada, o técnico não pensa duas vezes e o tira do jogo.
Nos nossos relacionamentos interpessoais, pisar na bola é ter uma atitude considerada inaceitável. Maridos pisam na bola com a esposa e a esposa com o marido. Pais pisam na bola com filhos e filhos com os pais. Amigos pisam na bola com amigos, vizinhos com vizinhos, colegas de trabalho com colegas de trabalho, e por aí vai... Pisamos tanto na bola que o Técnico da vida poderia nos tirar do jogo a qualquer momento. Mas, ele mantém-nos em campo porque decidiu escalar seu próprio Filho, o craque dos craques, para colocar-nos na cara do gol e mudar a história do jogo.
Futebol à parte, o Evangelho é mais ou menos isso. O apóstolo Paulo afirma que todos os seres humanos estão debaixo da ira de Deus, porque pisaram na bola com Deus, pecaram contra Deus. Porém, por seu amor eterno, o Filho de Deus entra na nossa história, vive a vida como a vida deve ser vivida, não pisa na bola, não peca. Mesmo assim, morre numa cruz. Morre para perdoar as nossas pisadas na bola, os nossos pecados. Ele é sepultado, ressuscita ao terceiro dia e aparece a muitos. Ressuscita para dar-nos uma nova vida, uma vida como a dele.
A grande pergunta é: como podemos receber esse perdão para os nossos pecados e essa nova vida? Para responder essa pergunta, o apóstolo Paulo apresenta-nos dois grupos e duas atitudes. Todavia, no lugar da bola, apresenta-nos uma pedra. “Que diremos, então? Os gentios, que não buscavam justiça, a obtiveram, uma justiça que vem da fé; mas Israel, que buscava uma lei que trouxesse justiça, não a alcançou. Por que não? Porque não a buscava pela fé, mas como se fosse por obras. Eles tropeçaram na “pedra de tropeço”. Como está escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair; e aquele que nela confia jamais será envergonhado”. (Rm. 9:30-33).
Os dois grupos descritos nesses versos são: gentios (os povos em geral) e judeus (o povo de Israel). Cada um deles teve uma atitude: os gentios creram em Jesus e os judeus não. Conforme o apóstolo Paulo Deus justifica, graciosamente, aqueles que colocam sua fé em Jesus, somente. Os gentios estavam fazendo isso e os judeus não. Os gentios estavam buscando uma justiça (ajustar-se das pisadas na bola) que vem de Jesus e que é recebida de graça, pela fé. Eles simplesmente recebiam o perdão ofertado por Deus. Os judeus estavam buscando uma justiça (justificar as pisadas na bola) que vem da lei e que é recebida como mérito, pela obediência. Eles tentavam auto-justificar-se, ao invés de simplesmente receber o perdão ofertado por Deus.
Quanto a esses últimos, o apóstolo Paulo diz: “Eles tropeçaram na “pedra de tropeço”. Quem é essa pedra de tropeço? Essa pedra é Jesus. Diante dessa pedra, só duas atitudes são possíveis: incredulidade, que conduz à queda e à destruição; fé, que conduz à segurança eterna. Todos nós, que pisamos na bola com Deus, que pecamos contra Deus, precisamos decidir que atitude tomaremos diante de Jesus: atitude de incredulidade ou atitude de fé. Dessa atitude depende a nossa continuidade no jogo da vida. Se a atitude for de incredulidade, estaremos caídos e o que nos aguardará é destruição. Se a atitude for de fé, estaremos de pé e o que nos aguardará é a segurança eterna. Esse é o Evangelho da graça!
Voltando ao futebol, encerro contando uma história... Durante algum tempo, ensinei Educação Cristã e Filosofia numa escola de 5ª a 8ª série. Nessa escola, no fim de cada ano, tinha um superclássico entre professores e alunos. Entre os professores, um era genial e o outro era o péssimo dos péssimos. O genial dava aula de Educação Física e o péssimo dos péssimos dava aula de Educação Cristã e Filosofia. Durante o jogo, o genial fazia tudo e rolava para o péssimo dos péssimos só empurrar para as redes. Se ele apenas ficasse parado já era suficiente, pois a bola bateria nele e entraria. Embora o péssimo dos péssimos fizesse muitos gols, ele e todos os demais presentes sabiam que o mérito era todo do genial. Assim também acontece com a nossa salvação. Se dependesse de nós, só pisávamos na bola. Como depende inteiramente de Jesus, conseguimos fazer alguns belos gols. O mérito, todos nós sabemos de quem é: é inteiramente dele, que é o craque dos craques.
Luiz Felipe Xavier.
Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção, por ocasião da "Conversação com Ariovaldo Ramos".