segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Vida de paradoxos...

Hoje é 12 de outubro, Dia das Crianças...

Cheio de saúde, acordei com a notícia que havia perdido uma preciosa amiga-irmã, depois de uma luta inglória contra um câncer perverso... Michelle, você fará muita falta por aqui...

Saí de casa para visitar pessoas que lutam por casa, mesmo que seja uma de madeirite, coberta com telhas de amianto...

Não fui sozinho, fui com adolescentes e jovens que têm quase tudo, mas que se dispuseram a brincar com crianças que não têm quase nada... Que orgulho dessa moçada!!!

Fui ao barraco da D. Neide, uma ex-tudo que virou missionária e mora na Ocupação Rosa Leão... A teologia dela me fez questionar se eu posso mesmo abrir a minha boca para falar de Deus... Sua paz, sua "prova", sua alegria, seu sofrimento, sua experiência e sua dependência me levaram às lágrimas... Chorei... E mesmo usando óculos escuro ela viu...

Entrei no carro e voltei para casa, e toda aquela gente continuou ali... Por dentro, só Deus sabe o que se passava e o que se passa no meu coração...

Daqui a pouco, irei a um casamento... Celebrarei, em comunidade, a união de duas pessoas que se amam...

Depois, voltarei para casa e a vida seguirá o seu caminho...

Mas que vida é esta, meu Deus? Vida que gente chora e vida que gente ri... Vida que alguns poucos têm quase tudo e vida que outros muitos não têm quase nada... Vida que gente que doa pouco recebe muito e vida que gente que recebe pouco doa muito... Que vida é essa?

É vida de paradoxos!

Ah! Como eu anseio pela eternidade! Como eu anseio pelo dia que nenhuma lágrima será mais derramada! Como eu anseio pelo novo céu e pela nova terra, onde habitará a justiça!

Neste Dia das Crianças, que Deus me ajude a confiar nele, como uma criança confia em seu pai! Que Deus me ajude a dar razão a ele, amando ao próximo como a mim mesmo! Que Deus me ajude a lutar pela justiça nesta vida de paradoxos!

Amém!

Luiz Felipe Xavier

domingo, 27 de setembro de 2015

Princípios para reagir à crise

Princípios para reagir à crise

Levítico 25:1-4; 8-10, 25, 35, 39.

27 de setembro de 2015

Luiz Felipe Xavier

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domingo, 23 de agosto de 2015

Orientações para o culto a Deus

Orientações para o culto a Deus

Êxodo 40:34-38

23 de agosto de 2015

Luiz Felipe Xavier

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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Havia uma árvore no meio do jardim...

Gênesis 1 descreve-nos a criação de Deus. Deus cria tudo que existe, ordena tudo que cria e estabelece um responsável por tudo que ordena. Gênesis 2 descreve-nos o que poderíamos chamar de pilares de uma vida equilibrada. Esses são a espiritualidade, a família e o trabalho. Gênesis 3 descreve-nos a queda da humanidade. A partir desta descrição, fica revelado que o pecado do ser humano é a origem de todo o mal que existe no mundo. Logo, a descrição que Gênesis 3 faz da queda, suscita-nos, pelo menos, três importantes perguntas.
A primeira pergunta é: O que foi a queda? “Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.” (v. 6). A árvore do conhecimento do bem e do mal é um teste de obediência. Isso porque Deus tinha dado uma ordem clara ao homem: “Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em dela comer, certamente você morrerá.” (Gn. 2:16-17). Assim, não comer é obedecer e comer é desobedecer. Tanto a mulher quanto o homem desobedecem a Deus, comendo do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Podemos dizer que a dinâmica da tentação do primeiro casal é um protótipo da dinâmica da tentação de todos nós. Hoffmann afirma que “a satânica argumentação desperta a curiosidade e semeia a dúvida. Esta dúvida coloca em jogo a absoluta confiabilidade da Palavra de Deus, em favor dos sentimentos e desejos do coração humano.”.
Vale ressaltar que antes de comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, Adão e Eva já conheciam o bem e o mal. Ou seja, eles conheciam o que Deus determinara como bem e como mal. Assim sendo, ao comer desse fruto, o casal quer ser como Deus. Isto é, ele quer assumir para si a prerrogativa de determinar o que é o bem e o que é o mal. Então, o pecado entra na história humana porque o ser humano que ser autônomo em relação a Deus. Em outras palavras, o pecado é dizer a Deus: Eu determino o que é o bem e o mal para minha vida, não você.
A segunda pergunta é: Quais foram as consequências da queda? As consequências da queda são descritas em termos de rupturas. Ruptura do relacionamento com Deus: “Ouvindo o homem e a mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.” (v. 8). Ruptura do relacionamento consigo mesmo: “E ele [o homem] respondeu: “Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”.” (v. 10). Ruptura do relacionamento com o próximo: “Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”.” (v. 12); “Respondeu a mulher: “A serpente me enganou, e eu comi”.” (v. 13). E ruptura do relacionamento com a criação. “Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se.” (v. 7).
A terceira pergunta é: Como a graça de Deus manifesta-se depois queda? “Mas Deus chamou o homem, perguntando: “Onde está você?”.” (v. 9). Deus, por sua graça, vem em direção ao casal desobediente. Deus chama o homem, porque está cheio de graça. O homem esconde-se de Deus, porque está cheio de medo. Mas Deus trata o pecado com seriedade. Isso significa que todo pecado tem consequências terríveis. Por causa da desobediência, a serpente, a mulher, a terra e o homem sofrerão. Deus expulsa o casal do jardim e restringe o seu acesso à árvore da vida. Por fim, Deus apresenta ao casal o caminho de volta a ele. Inicialmente, ele apresenta um caminho provisório. “O Senhor Deus fez roupas de pele e com elas vestiu Adão e sua mulher.” (v. 21). Aqui, um princípio pedagógico está estabelecido: O ser humano só pode voltar a Deus coberto pelo sangue de uma vítima inocente. Posteriormente, Deus promete um caminho definitivo. À serpente, ele diz: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” (v. 15). Pronto! Está feita a promessa acerca de Jesus. Jesus será a vítima inocente que derramará o seu sangue e abrirá à humanidade pecadora o caminho definitivo de volta a Deus. Todos aqueles que trilham este caminho de reconciliação transformam-se e agentes de reconciliação. Que assim seja conosco!

Luiz Felipe Xavier.

domingo, 19 de julho de 2015

Conhecendo o nosso Deus

Conhecendo o nosso Deus

Êxodo 6:1-8

19 de julho de 2015

Luiz Felipe Xavier

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domingo, 28 de junho de 2015

Integridade

Integridade

Gênesis 37 a 50

28 de junho de 2015

Luiz Felipe Xavier

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domingo, 14 de junho de 2015

Ressonâncias de um FTLiano...

De acordo com René Padilla, FTLiano é uma pessoa que faz parte da Fraternidade Teológica Latino-Americana.

Há uma semana, na cidade de São Paulo, aconteceu a Consulta Continental comemorativa de 45 anos da FTL. O aspecto mais relevante dessas consultas é o reencontro dos amigos de caminhada. Além de reencontrá-los, podemos ouvi-los, o que sem dúvida é muito enriquecedor. Como uma das maiores riquezas da FTL é a não uniformidade teológica, sempre que nos reunimos, precisamos colocar em prática o que Paulo nos ensinou em 1 Tessalonicenses 5:21: “(...) julgai todas as coisas, retende o que é bom (...). Este ensino do apóstolo é enfatizado na chamada “Regra Inaciana”, que diz: “Para que tanto aquele que dá os exercícios espirituais como o exercitante mais se ajudem e aproveitem, há de se pressupor que todo bom cristão deve estar mais pronto a salvar a proposição do próximo do que a condená-la; e se a entende mal, corrija-a com amor. Caso tal não bastar, recorra a todos os meios convenientes para que, bem entendida, seja salva.”. É exatamente com este espírito de salvar, mais que de condenar, que quero compartilhar as minhas ressonâncias sobre a Consulta Continental da FTL. Para tal, o farei destacando o que mais me enriqueceu. Não citarei quem falou o que para tornar a leitura mais fluida.

A FTL nasce no ceio do movimento estudantil na América Latina. Entre os seus objetivos destacam-se a reflexão bíblica, a atenção ao contexto e a ação pastoral-missional. Quando os pastores-teológos da FTL se encontravam sempre tinha uma mesa posta e vários textos para reflexão. Logo, a Teologia da Missão Integral é gestada por muita produção textual e por muita discussão fraterna. Digno de nota é que os seus primeiros líderes eram pessoas sábias e experientes, simples e acessíveis.

A Teologia da Missão Integral, mais do que uma teologia, é uma missiologia. É uma missiologia que chama um povo à obediência da fé. Ela não é uma reflexão sobre Deus, numa perspectiva metafísica, mas é uma reflexão a respeito da práxis da Igreja, numa perspectiva missiológica. Assim, em seus primórdios, ao invés de dialogar com a filosofia, ela preferiu dialogar com as ciências sociais. Esse diálogo a levou a considerar sempre o contexto, tanto do leitor atual como do autor original do texto sagrado. Ela entendeu bem cedo que para ser relevante precisava ser contextual. Isso porque, como afirma Frei Beto, “a cabeça pensa onde estão os pés”.

A Teologia da Missão Integral tem como seu fundamento último a Bíblia Sagrada. Desde o início, ela procurou abrir o Livro para fazer uma teologia desempacotada. A Palavra de Deus é que tinha autoridade para julgar a realidade, não o contrário. Assim sendo, em sua leitura contextual das Escrituras, a Teologia da Missão Integral tomou o Reino de Deus como sua chave hermenêutica. Este Reino foi proclamado por Jesus Cristo aos pobres da Galiléia. Por estes, aquele fez uma opção preferencial, não exclusiva e absoluta. Tal opção foi marcada por um serviço desinteressado e por uma convocação aos seus discípulos para fazer o mesmo.

Com o passar do tempo, a Teologia da Missão Integral começou a dialogar com outras ciências e a ocupar-se com diversos temas. Dentre esses temas, alguns se destacam. Primeiro, o tema da negritude. Penso que estamos sendo desafiados a romper com uma ordem social pigmentocrática. Segundo, o tema da sexualidade. Considero que estamos sendo desafiados a manter os valores da família original, tais como heterossexualidade, monogamia e intenção de permanência. Terceiro, o tema da criança. Acho que estamos sendo desafiados a nos indignar frente à exclusão das crianças, estas que são as principais vítimas da desigualdade social que nos acomete. Quarto, o tema do meio ambiente. Penso que estamos sendo desafiados a aprender com os índios sobre sustentabilidade, e a resistir a um modelo civilizatório predador e consumista. Quinto, o tema da diáspora. Considero que estamos sendo desafiados a abraçar, não a excluir, os estrangeiros-imigrantes que chegam no nosso país. Sexto, o tema dos pentecostalismos. Acho que estamos sendo desafiados a redescobrir as dimensões da mística e da experiência na vida cristã. Sétimo, o tema dos chamados “desigrejados”. Penso que estamos sendo desafiados a viver uma espiritualidade comunitária, uma espiritualidade que seja terapêutica àqueles que sofreram e sofrem traumas religiosos. Oitavo, o tema do diálogo inter-religioso. Considero que estamos sendo desafiados a crescer na compreensão de que o diálogo se dá a partir da afirmação da nossa identidade, não da negação da mesma. Nono, o tema da globalização sócio-político-econômica. Acho que estamos sendo desafiados a desenvolver uma ética social que leve em consideração os princípios da Revelação de Deus. De tudo que ouvi e julguei, isto foi parte do que retive de bom.

Porém, apesar de tudo isso, não posso deixar de fazer algumas críticas. Sinto-me à vontade para fazê-lo porque o faço de dentro. Na programação, em geral, senti falta de algo que sempre esteve presente em nossas consultas: devocionais e orações. Lemos a Bíblia e oramos muito pouco. Isso comprometeu parte do discernimento, da relativização e da denúncia do nosso próprio contexto, o que sempre foi muito caro à FTL e à Teologia da Missão Integral.

Por fim, ressalto dois importantes momentos. Ao longo da nossa consulta, tivemos a oportunidade de homenagear três dos chamados “pais” da Teologia da Missão Integral: René Padilla, Samuel Escobar e Pedro Arana. Sou grato a Deus pela vida e ministério destes preciosos irmãos. No fim da nossa consulta, aconteceu a eleição da nova diretoria da FTL-B. A diretoria da qual eu fiz parte foi substituída por uma nova. Na pessoa do David Mesquiati, nosso novo presidente, peço a Deus que abençoe esta nova diretoria. Que ela desfrute da mesma fraternidade que a diretoria passada desfrutou. Também sou grato a Deus pela vida do Lyndon, do Carlinhos, da Lucy, do Silvério e do Robinson, pessoas com quem tive o privilégio de conviver nestes últimos três anos. O que aprendi com eles, eu guardarei em meu coração.

A minha oração é que a boa mão de graça do Senhor permaneça sempre sobre a nossa querida FTL!

Luiz Felipe Xavier.