Superando as crises da vida
Joel 1:1-20
11 de novembro de 2012
Luiz Felipe Xavier
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domingo, 11 de novembro de 2012
Superando as crises da vida
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
495 anos da Reforma Protestante
Quando ainda era acadêmico
na faculdade de Teologia, ouvi de um professor as seguintes palavras: “Todos
vocês precisam de três conversões: a primeira, a Jesus Cristo, a segunda, à
Reforma Protestante, e a terceira, à América Latina.”. Essas palavras jamais
saíram do meu coração.
A Reforma Protestante tem início no dia 31 de
outubro de 1517, quando Martinho Lutero fixa suas 95 teses, na porta do castelo
de Wittenberg, na Alemanha. Mas, dois séculos antes, movimentos que propunham
reforma na Igreja Medieval já espalhavam-se por toda a Europa. Exemplos disso
encontramos na Inglaterra, na Boêmia (atual República Tcheca) e na Itália, com
João Wycliff, João Hus e Jerônimo Savonarola, respectivamente. Esses preciosos
irmãos levantam suas vozes contra as práticas equivocadas da Igreja Medieval e
afirmam a autoridade absoluta das Escrituras. Logo, pagam com a própria vida e
aram a terra onde a semente da Reforma Protestante é lançada, germina e brota.
As principais teses
defendidas pelos reformadores podem ser descritas em “5 Solas”. A primeira é Sola
Scriptura. Só a Escritura, corretamente interpretada, é a nossa regra de fé
e prática. Ela tem autoridade absoluta sobre nós e a ela devemos nos submeter
totalmente. Assim, os reformadores propõem a tradução da Bíblia na língua do
povo e a interpretação literal da mesma.
A segunda é Solus Christus. Só pelo sacrifício de
Cristo na cruz do Calvário é que podemos ser perdoados dos nossos pecados e
reconciliados com Deus. O Evangelho é a Boa Notícia de que Jesus morreu pelos
nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou e apareceu a muitos. Assim sendo, só
há um Mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo de Nazaré.
A terceira é Sola Gratia. Só pela maravilhosa graça de Deus podemos ser salvos.
Nós, que somos pecadores, merecíamos a morte eterna. Deus, que é Santo,
deu-nos, de graça, a vida eterna. Pela graça, nós somos salvos. Isto não vem de
nós, nada vem de nós. Antes, é dom de Deus, é presente. Não vem das nossas
obras, para que nenhum de nós se glorie. Então, todo mérito da nossa salvação é
do Deus de toda graça.
A quarta é Sola
Fide. Só pela fé podemos receber, de graça, a nossa salvação. Essa fé também
é dom de Deus. É ele quem nos dá. Quando confiamos, única e exclusivamente, no
que Cristo realizou por nós na cruz, somos justificados. O Pai imputa-nos,
transfere-nos, a justiça do Filho. Conseqüentemente, se a nossa confiança está
apenas em Jesus, não seremos condenados pelos nossos pecados. Aleluia!
A quinta e última é Soli Deo Gloria. Só a Deus deve ser dada toda glória pela nossa
salvação. Desde a eternidade, Deus Pai nos escolheu e nos predestinou. Na
história, Deus Filho derramou o seu sangue para a nossa redenção. Hoje, Deus
Espírito Santo dá-nos vida espiritual e nos sela até o dia em que a boa obra
iniciada em nossas vidas será levada a bom termo. Portanto, toda a glória da
nossa salvação deve ser dada somente ao Deus Trino.
Pouco a pouco, essas teses espalham-se por toda
a Europa e por todo o mundo. Grandes coisas o Senhor faz na Alemanha de
Martinho Lutero, na Suíça de Ulrico Zuínglio e de João Calvino, na Inglaterra
dos tutores de Eduardo VI, na Escócia de João Knox, na França dos Huguenotes e
em tantos outros lugares.
Por fim, quero destacar o que Senhor faz entre
os anabatistas, nossos pais na fé. O movimento anabatista começa em Zurique, na
Suíça, com Conrado Grebel e Félix Mantz. Esses irmãos, que reúnem-se com Ulrico
Zuínglio, começam estudar a Bíblia e concluem que precisavam de uma reforma
mais radical. Logo, começam a rebatizar os adultos (daí anabatistas) e criticar
as autoridades locais. Por tais atitudes são fortemente perseguidos. Alguns
morrem, outros fogem.
Dentre os que fugiram encontra-se Miguel
Sattler, que passa a viver em Estrasburgo, na Alemanha. Ele é quem preside a
chamada “Conferência de Schleitheim”. De tal conferência surge a primeira
confissão que define os seguintes princípios anabatistas: ideal de restauração
da igreja primitiva; igrejas vistas como congregações voluntárias separadas do
Estado; batismo de adultos por imersão; afastamento do mundo; fraternidade e
igualdade; pacifismo; proibição do porte de armas, cargos públicos e
juramentos. Vale ressaltar ainda que, na Holanda, sob a liderança de Menno
Simons, o movimento estabelece-se e cresce.
Desde que Martinho Lutero fixa suas 95 teses, na
porta do castelo de Wittenberg, 495 anos se passam. Somos gratos a Deus pelo
que ele faz no século XVI e desejamos que ele faça muito mais no século XXI.
Que assim seja!
Luiz Felipe Xavier.Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Introdução ao evangelho de Lucas
Introdução ao evangelho de Lucas
Lucas 1
15 de outubro de 2012
Luiz Felipe Xavier
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Lucas 1
15 de outubro de 2012
Luiz Felipe Xavier
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Igreja: reflexo da graça de Deus
A graça de Deus é um dos principais temas de
Hebreus. Lendo essa carta, percebemos que a graça de Deus é revelada em Jesus,
é recebida pessoalmente e é refletida coletivamente. Ela é refletida
coletivamente pela igreja. É exatamente por isso que o autor de Hebreus afirma:
“Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns.”
(10:25a).
Essas palavras, ditas no século I, alcançam
nossos ouvidos hoje, no século XXI, gerando certo incômodo. Isso porque, numa época
marcada por individualismo, temos visto crescer o número de pessoas que
afirmam: “Jesus, sim; igreja, não!”. Para essas pessoas, é possível seguir a
Jesus sem pertencer a uma igreja local. Mas, ao que parece, para o autor de
Hebreus essa possibilidade não existe. Não existe porque, como disse
anteriormente, é na igreja que a graça de Deus é refletida. A grande pergunta
é: como?
Primeiro, considerando uns aos outros para o
incentivo ao amor e às boas obras (cf. 10:24). É na igreja que aprendemos a
praticar o amor que, por definição, pressupõe o outro. Aprendemos a praticar o
amor, especialmente, quando nos dispomos a praticar boas obras. Essas boas
obras devem ser mutuamente incentivadas. Eu preciso incentivar o meu irmão e o
meu irmão precisa me incentivar. Essas boas obras também devem ser, ao mesmo
tempo, dentro e fora do círculo da igreja. São dentro, quando dentro houver
necessidade; porém, são fora, quando fora houver necessidade. Essas boas obras devem
ainda ser norteadas pela necessidade que nos é apresentada e pela possibilidade
que temos de suprir tal necessidade. Ao mesmo tempo em que temos a consciência
de que não somos “messias”, precisamos fazer o que estiver ao nosso alcance
para servir ao nosso próximo, seja ele um irmão ou não.
Segundo, imitando o exemplo daqueles que, por
meio da fé, receberam a herança prometida (Cf. 6:12). É na igreja que
aprendemos com os exemplos uns dos outros. Isso significa que eu aprendo com a
vida do meu irmão e o meu irmão aprende com a minha vida. Logo, tanto eu quanto
o meu irmão precisamos viver uma vida bonita, uma vida que inspire, uma vida
que seja parecida com a de Jesus. Significa também que aqueles que caminharam
mais têm mais a ensinar aqueles que caminharam menos. Isso é discipulado!
Significa ainda que essa caminhada é motivada pela esperança. Esperança de
alcançarmos a herança prometida por Deus.
Terceiro, esforçando-nos para viver em paz
com todos e para ser santos (Cf. 12:14). A vida na igreja deve ser vivida em
paz. Para isso, algo é demandado de cada um de nós: esforço. Viver em paz não é
tarefa fácil. Não o é porque, vez por outra, ofendemos uns aos outros. Quando
isso acontece, um esforço é requerido de cada um de nós: o esforço da
reconciliação. Para tal, é necessário perdoar e ser perdoado. O efeito desse
esforço pela reconciliação é a santificação. À medida que ofendemos ao nosso
irmão e procuramos reconciliação, Deus está trabalhando em nossas vidas,
tornando-nos mais santos.
Quarto, cuidando para que ninguém se exclua
da graça de Deus, que nenhuma raiz de amargura brote e que não haja imoral e
profano (Cf. 12:15-16). A igreja é um ambiente onde devemos exercitar o cuidado
mútuo. Exercitamos o cuidado mútuo quando não permitimos que ninguém se exclua
da graça de Deus. Notem: a graça não exclui ninguém, mas alguém pode se excluir
da graça. Alguém se exclui da graça quando não consegue mais se ver perdoado
por Deus e desiste de si mesmo. Exercitamos cuidado mútuo também quando não
permitimos que nenhuma raiz de amargura brote, tanto no nosso coração quanto no
coração do nosso irmão. Constantemente, precisamos fazer um auto exame e ajudar
o nosso irmão a fazer o mesmo. Se o nosso coração está amargurado, tendemos a
nos afastar. Exercitamos o cuidado mútuo ainda quando não permitimos que haja
no nosso meio imoral ou profano. Em geral, imoralidade e profanação são
consequências naturais do afastamento anterior. Uma vez que alguém se afasta da
igreja, é natural que perca também os referenciais dos valores éticos do Reino
de Deus, tornando-se alguém imoral e profano. É com a intenção que ninguém
chegue nesse terrível estado que precisamos exercitar o cuidado mútuo.
Quinto e último, encorajando uns aos outros,
de modo que ninguém seja endurecido pelo engano do pecado. (Cf. 3:13). É na
igreja que encorajamos uns aos outros nos altos e baixos da vida. Isso
significa que ninguém está bem o tempo todo e que ninguém está mal o tempo
todo. Significa também que quando eu estou mal eu preciso ser encorajado por
quem está bem e que quando eu estou bem eu preciso encorajar quem está mal. Significa
ainda que todos nós, de tempos em tempos precisamos ser encorajados e
encorajar. O resultado desse encorajamento mútuo é que ninguém terá o coração
endurecido pelo engano do pecado.
A carta aos Hebreus tem muitas outras indicações
acerca de como a graça de Deus é refletida coletivamente pela igreja. Por hora,
bastam essas cinco. Que Deus nos leve a discernir que a igreja, quando é Igreja,
é o projeto mais fascinante da terra!
Luiz Felipe Xavier.
Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.
Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Jesus: o caminho para sair da crise de fé
Nos dois últimos meses, tenho refletido
sobre a carta aos Hebreus. Essa carta foi escrita a judeus convertidos à fé
cristã. Tais judeus cristãos creram no Evangelho, começaram a seguir a Jesus e
entraram numa profunda crise de fé. No capítulo 5, entre os versos 11 e 14, o
autor apresenta-nos essa triste situação: “Quanto a isso, temos muito que
dizer, coisas difíceis de explicar, porque vocês se tornaram lentos para
aprender. Embora a esta altura já devessem ser mestres, precisem de alguém que
ensinem a vocês novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão
precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda
é criança e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é
para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para
discernir tanto o bem quanto o mal.”.
Assim como os judeus cristãos passaram
por crise de fé, hoje, muitos de nós também passam por crise de fé. Logo, a
pergunta é: o que precisamos fazer para sair dessa crise? A carta inteira é uma
resposta a essa pergunta. Aqui, quero apresentar uma parte, a mais importante,
diga-se de passagem, dessa resposta: Jesus.
No capítulo 4 de Hebreus, entre os
versos 14 e 16, encontramos uma das mais belas descrições sobre Jesus. Diz-nos
o texto: “Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os
céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda firmeza à fé que
professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das
nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de
tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a
confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude
no momento da necessidade.”.
Que verdade maravilhosa e encorajadora!
A esperança para pessoas pecadoras, fracas e ambíguas como nós está em nosso
Sumo Sacerdote, a saber, em Jesus, o Filho de Deus. Primeiro, esse Sumo
Sacerdote é grande. Se o sumo sacerdote judaico era apenas um homem, ele é também
o Filho de Deus. Ele é Deus que se fez homem para levar o homem de volta a
Deus. Segundo, esse Sumo Sacerdote adentrou os céus. Se o sumo sacerdote
judaico entrava apenas no santo dos santos, uma vez por ano, ele adentrou os
céus, de uma vez por todas. Não há mais necessidade de sacrificar animais para
ser perdoado por Deus, pois o único sacrifício suficiente já foi feito, de
forma última e definitiva, na presença de Deus e dos homens. Terceiro, esse
Sumo Sacerdote pode compadecer-se das nossas fraquezas. O texto afirma que ele
passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Ele identificou-se conosco
em nossas fraquezas e compadece-se de nós em nossas necessidades.
Sabem o que isso significa? Isso
significa que nenhum de nós é uma surpresa para Jesus, nosso Sumo Sacerdote.
Quando ele derramou seu sangue sabia, exatamente, que tipo de pessoa estava
comprando. Ele sabia que somos pecadores, sabia que somos fracos e sabia que
somos ambíguos. E, apesar de nós mesmos, ele amou-nos e comprou-nos para si
mesmo, a fim de transformar-nos à sua própria imagem.
Jesus é o caminho que faz-nos sair da
crise de fé. Ele convida-nos a aproximarmo-nos do seu trono. Essa aproximação
acontece a partir de qualquer situação quando os joelhos se dobram e os lábios
se abrem. Quando decidimos por tal aproximação, o medo que outrora habitava-nos
dá lugar à confiança. Somos tomados pela certeza de que tudo já está consumado!
O nosso Sumo Sacerdote já fez a purificação última e definitiva dos nossos
pecados. À medida que aproximamo-nos do seu trono, somos recebidos pela
misericórdia e pela graça. Ele não retribui-nos conforme merecemos. Muito pelo
contrário! Ele dá-nos exatamente o que não merecemos. Por fim, tendo chegado
diante do trono, recebemos também toda a ajuda de que necessitamos para viver a
vida. Pecados... acontecerão; fraquezas... serão experimentadas; ambiguidades...
ainda farão parte da caminhada. Todavia, o Sumo sacerdote que assenta-se no
trono estará no mesmo lugar, cheio de misericórdia e de graça, esperando sempre
pela nossa chegada.
Está em crise de fé? Confie tão somente em
Jesus, nosso Sumo Sacerdote. Ele é o caminho para você sair dessa terrível
situação.
Luiz Felipe Xavier.Esse texto foi publicado no informativo da Igreja Batista da Redenção.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Marcas e desafios...
O Foro Teologico Jueves foi considerado por muitos participantes como o ponto mais alto do CLADE V. Se não foi o mais alto, certamente foi o mais propositivo. O espanhol Juan José Tamayo, teólogo da libertação, foi convidado para analisar a FTL e a Teologia da Missão Integral. O que segue é um resumo de sua palestra.
Tamayo deu início à sua fala apresentado o que considera ser as três virtudes teologais
do ecumenismo ou da unidade cristã: a fé em Jesus de Nazaré, a esperança em seu Reino, e o amor a Deus e ao próximo. Tendo dito isso, dividiu a sua palestra em três partes.
Na primeira parte, Tamayo respondeu à pergunta: Como chegamos até aqui? Em uma frase, disse que a caminhada até aqui foi marcada pelo descobrimento de comunidades vivas, ativas celebrantes e festivas.
Na segunda parte, Tamayo respondeu à pergunta: Quais são as marcas identificadoras da FTL? Para ele, a FTL possui, pelo menos, nove marcas identificadoras. A primeira marca é a missão, entendida como o anúncio do Reino de Deus e sua justiça. A segunda marca é o compromisso como uma práxis que evidencie esse Reino. A terceira marca é a reflexão, o pensar a fé. Nesse pensar, três equívocos são evitados: o intelectualismo, que converte o cristianismo num projeto para sábios; o ativismo, que não deixa tempo para o exercício do pensamento; e o irracionalismo, que considera absurdo crer. A quarta marca é a plataforma de diálogo, entre distintos e distantes setores da igreja na América Latina. Para tal é necessário um deslocamento do pensamento único para o pensamento plural e das guerras religiosas para os encontros religiosos. As diferenças que aparecem não são motivos de enfrentamento e distanciamento, mas ocasiões de diálogos. A quinta marca é a hermenêutica bíblica contextual. Essa hermenêutica acontece num círculo: da Palavra de Deus à sociedade; da sociedade à Palavra de Deus. Ou, como dizia Carlos Mesters, num "Triângulo Hermenêutico", de pretexto, texto e contexto. A sexta marca é a herança. Tal herança conforma-se à tradição, mas olha para o futuro, motivada pela utopia ou esperança. A sétima marca é a Missão Integral da Igreja, realizada pelo discipulado integral. Integral é entendido como antônimo de parcial e sinônimo de integridade, tanto da mensagem quanto da vida. A oitava marca é o Espírito Santo, aquele que é o protagonista da missão da Igreja. A nona e última marca é a contextualização, referente à América Latina.
Na terceira parte, Tamayo respondeu à pergunta: Quais são os desafios para a Missão Integral no futuro? De maneira didática e dialética (sempre do negativo ao positivo), ele propôs dez desafios à igreja latino-americana. O primeiro desafio é responder à pobreza estrutural e aos movimentos de luta contra a pobreza. Desse desafio surgirá uma igreja solidária, uma igreja da libertação integral, uma igreja dos pobres. O segundo desafio é responder à globalização neoliberal excludente e à alter globlalização inclusiva. A alter globalização é um movimento que opõe-se aos efeitos negativos da globalização econômica. Desse desafio surge uma igreja contra hegemônica, um igreja contra imperial. O terceiro desafio é responder ao patriarcado e ao feminismo, como alternativa. Segundo ele, a igreja ainda é patriarcal na organização, na doutrina, na moral e na linguagem. Logo, o feminismo aparece como uma filosofia de igualdade e um movimento social de libertação das mulheres. Desse desafio surgirá uma igreja comunitária e fraterna, onde a mulher também seja sujeito. O quarto desafio é responder à destruição do meio ambiente e à consciência ecológica. Desse desafio surgirá uma igreja que não seja uma organização antropocêntrica, mas uma comunidade ecológica, comunidade que defenda os direitos da natureza. O quinto desafio é responder ao neocolonialismo e à descolonização das igrejas. Desse desafio surgirá uma igreja autóctone, uma igreja latino-americana. O sexto desafio é responder à uniformidade cultural e à interculturalidade. Desse desafio surgirá uma igreja universal, uma igreja intercultural. O sétimo desafio é responder ao fundamentalismo, instalado nas cúpulas, e ao diálogo inter-religioso e social. Desse desafio surgirá uma igreja em diálogo ecumênico, inter-religioso e social. O oitavo desafio é responder ao dogmatismo e à afirmação da ética. Conforme ele pensa, o dogma não pode sobrepor-se ao Evangelho e as verdades eternas não podem sobrepor-se à ética. Desse desafio surgirá uma igreja que recupere os símbolos, porque, como diz Paul Ricoeur, o símbolo dá de pensar, uma igreja que recupere a ética como teologia primeira, assim como Emmanuel Lévinas afirmava a ética como filosofia primeira. O nono desafio é responder à uniformidade e fragmentação, e ao pluralismo eclesiástico. Desse desafio surgirá um igreja plural, sem fragmentação, sem sem exclusão, sem excomunhão, sem inquisidores e sem hereges. O décimo e último desafio é responder às investigações científicas e à condenação à ciência. Desse desafio surgirá uma igreja em diálogo com a ciência e uma igreja que critique os abusos da ciência.
Tamayo finalizou sua fala destacando um palavra que considera mágica: utopia. Para ele, o Reino de Deus é a utopia de Jesus. Assim, ele deve estar em nosso horizonte como estava no de Cristo. É Reino de Deus como lugar de encontro entre transcendência e história; é Reino de Deus em defesa da vida; é Reino de Deus marcado por tensão entre presente e futuro, já e ainda não; é Reino de Deus como libertação dos pobres, dos excluídos e dos marginalizados.
Da palestra de Tamayo, destaco dois aspectos: um positivo e outro negativo. O positivo refere-se ao seu caráter propositivo da análise. O negativo refere-se à ênfase excessiva no chamado Diálogo Inter-Religioso.
Por fim, agradeço à provocação de Harold Segura, a quem dedico a ele esse breve resumo. Obrigado, mano!
Luiz Felipe Xavier.
domingo, 22 de julho de 2012
Conhecendo nosso Sumo Sacerdote
Conhecendo nosso Sumo Sacerdote
Hebreus 6:19 – 7:28
22 de julho de 2012
Luiz Felipe Xavier
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Hebreus 6:19 – 7:28
22 de julho de 2012
Luiz Felipe Xavier
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